Até hoje eu me arrepio e fico inebriado com os belos significados da palavra insight. No português, essa palavra também pode ser entendida como intuição, ou percepção. Mas o que querem dizer essas palavras? Normalmente, palavras não dizem muitas coisas; aliás, a palavra em si não diz nada. Tudo depende do contexto no qual ela está encaixada, do modo como se fala, com quem se fala, quando se fala, etc..
Entenda-se insight como quando uma pessoa consegue enxergar uma coisa tal como ela é. Ou seja, sem prejulgamentos ou preconceitos, sem opiniões que possam distorcer os fatos. Insight é olhar para algo sem medo ou condenação, sem passividade ou agressividade, é simplesmente ver, e perceber a beleza no ver, e não na ideia do que se está vendo, na ilusão de querer perpetuar o que está se vendo, e perceber que a beleza escorre pelos dedos quando tentamos agarrá-la com as mãos..
Ver é complicado. Não no sentido literal da palavra; ver no sentido de olhar o que se encontra para além da montanha, o que está fora da caixa, o que está fora da caverna, o que está dentro de você, se há algo mesmo. Será que nós vemos? Ou vivemos nossas vidas à ver navios; aliás, projeções de navios ao horizonte, que nunca saberemos se são reais ou não.
O insight não pode ser encontrado, ele vem naturalmente, ele emana. Quando se busca o insight ele some, como uma criança brincando de pique-esconde. O insight é ingênuo, mas não é bobo; é perspicaz, mas não é violento; é livre de qualquer julgamento, é apenaso que é. O insight não pode ser acumulado nem revisitado, apenas experimentado sem esforço, sem busca por recompensa ou medo de punição.
Todos iremos morrer. O ser humano, creio eu, é o único animal que tem a sorte de saber isso. Sorte? Sim. Saber o nosso destino final mostra que, no fim das contas, somos todos iguais. Podemos ser ricos ou pobres; brancos ou pretos; magros ou gordos; homens ou mulheres; não interessa, vamos morrer.
Saber que vamos morrer é bom, pois não importa o destino, e sim a jornada que irá alcançá-lo. Sim, é clichê, mas quem enxerga esse fato, além das palavras? Todos iremos morrer, mas nenhum de nós trilhará o mesmo caminho até a morte. Factualmente, a morte quebra todas as divisões que nós tentamos impor entre nós mesmos. Gordo? Magro? Preto? Branco? Não interessa, o destino é o mesmo, somos iguais.
Mas nós não desistimos de nos dividir. Querendo continuar essas divisões na pós-vida, criamos deuses diferentes, e cada um salva um povo diferente. No fim das contas, ou todos nós vamos para um céu diferente ou para um inferno diferente. Mas, para piorar, além de criarmos vários deuses, ficamos lutando para decidir quem criou o melhor deus.
Não nos desesperemos com a morte, ela é bonita. Graças a ela, adquirimos a consciência de que cada minuto é sagrado, e que cada vida também é sagrada. Não podemos negligenciar essa sacralidade da morte, que deveria ser o nosso verdadeiro Deus. E não adianta pedir para jogar xadrez com a morte para prolongar o seu tempo na Terra, não adianta; ela sempre vence.
Deus Morte, eu a saúdo.
Turismo no escuro
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Insightseeing
Abraços!