segunda-feira, 27 de setembro de 2010

D'as reclamações políticas

Em qualquer lugar onde se encontrem dois ou mais brasileiros, sentados na mesa de um bar ou na fila de um banco, em período de eleições, haverá reclamações. Muitas reclamações. "Tá vendo aquele candidato ali? O da foto esquisita? Nunca o vi mais gordo!", reclama um; "Nem eu! Eles só querem se aproveitar da gente! Aparece agora e depois some!", consente o outro.

Observo e comento: são eles que somem ou nós que não os procuramos? Há aquela velha pergunta clichê que os mais esclarecidos politicamente sempre fazem: "Você se lembra em quem votou nas últimas eleições? Cobra deles?". Aqueles brasileiros da mesa do bar ou da fila do banco ignoram a pergunta, pois estão acostumados apenas a reclamar, e não a pensar.

E esse estado de reclamação extrema é, normalmente, seguido de uma omissão impressionante até a próxima eleição, quando recomeçam as reclamações. Resolve?, nos perguntamos incessantemente, querendo saber o real motivo para tanta insatisfação seguida de inação completa.

Seria culpa do tal pão e circo? Penso ser uma explicação muito simplória. Países da Europa, por exemplo, vivem no pão e circo, mas o povo sabe separar as coisas. Hora de se entreter, hora de reclamar e hora de cobrar, exigir, mudar.

O brasileiros da mesa do bar e da fila do banco, que se unem para reclamar, precisam atravessar a barreira da omissão e jogar a inação pela janela. Como caminho só vejo a educação, pois o povo educado é um povo instruído para a insatisfação construtiva, visando reclamar na hora certa e no lugar certo, ordeiramente e com conhecimento de causa. 

Meu pai, com seus anos de sindicalismo nos Correios, sempre me ensinou que os resultados chegam através da cobrança ordeira e conhecida por todas. O conhecimento da causa faz com que não hajam tumultos desnecessários, pois todos estão olhando para o mesmo horizonte. Mas, por enquanto, o brasileiro nem abriu os olhos para ver o mar...

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