terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O oposto da vida é a solidão

No fim das contas, a gente faz de conta que tudo deu certo. Não existe maior consolo do que esse: acreditar que nada é em vão. Burrice. Temos a mania de entreter a mente com utopias, teorias e ideologias, deixando sempre os fatos de lado: somos complexos.

Eu gosto das coisas simples; mentira. Digo que gosto das coisa simples, mas sou complexo e prefiro o não-dito, o não-visto e o não-sentido. Não sei dizer, ver e sentir o que já sentiram; só sei pensar. Me resta acender outro cigarro e apreciar mais um gole de uísque, apesar de ainda não ter aprendido a fumar nem a beber.

O oposto da vida é a solidão, e não a morte. Morte e vida andam juntas; sem morte, não há vida, apenas eternidade, e vida é passagem - começo, meio e fim. Solidão é eterna, aonde me escondo dos meus piores devaneios. A solidão entra sem pedir, mas apenas quando deixamos as portas abertas. Visitante inconveniente, logo nos acostumamos com ele, por educação e pelo sentimento de miséria que ele nos traz. Miséria vende, miséria é atrativo, conforta, nos diferencia.

Tenho certeza de que não vou desistir, pois eu já desisti há muito tempo atrás. Talvez, quem me encontrar nesta cadeira, leia estas últimas palavras e perceba que sempre tive o controle da minha vida. Nunca fiz o que não quisesse, mesmo que não fosse o melhor a ser feito. Não fui entretido com histórias de salvação, Deus, Diabo ou comunismo, não acreditei na justiça social entre os homens, apenas estive com o que tenho até hoje: esse cheiro de eucalipto que invade minha sala, a janela mostrando a luz do luar, meu corpo cansado, a bebida que o esquenta, o cigarro que o acalma.

Por isso, tendo o controle de tudo, também decido quando minha vida chegará ao fim. Nunca me preocupei com a morte, pois como ser humano, sei que posso tirá-la a qualquer momento, porquê ela é minha e está atrelada ao meu corpo e mente. Nasci sem querer, cresci por forças do acaso, mas morro por minha conta e risco, quando quiser, e o quero agora.

Se, por um acaso, acabe lendo essas palavras, saiba que não morro triste ou feliz, pois isso não cabe a mim. Quando estamos na solidão, não me cabe ter sentimentos, pois sentir faz parte da vida, e da morte. Apenas saiba que morri, como você vai morrer, ou como seus pais provavelmente já morreram, ou morrerão. Não somos tão diferentes assim.

5 comentários:

  1. Texto mórbido. Sinceramente, fiquei preocupada. Tire ideias de morte da sua cabeça, pois há muito o que se fazer aqui e você sabe disso.

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  2. É só um conto, nada é verdade, ou Verdade.

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  3. Eu acredito que nada é em vão (e tatuarei isso), gosto das coisas simples.. aí não li até o fim. HAIHSOHOAIUHOIUS

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  4. Dorlyyyyy!

    Esse é seu texto com a maior carga de lirismo e beleza/tristeza. Continue criando personagens assim, confusos e belos, sempre humanos.

    Beijinhos =*********

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