quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Primeiras linhas

O primeiro passo foi escrever algumas primeiras linhas. As letras iam tomando corpo e o meu trabalho era lapidar o que não era poesia. Podemos ter centenas de milhares de palavras, mas não saber usá-las só aumenta a falta de significação. A abundância, nas mãos de quem não sabe usufruir, se torna mais desperdício.

Voltemos às primeiras linhas. Elas ficaram bonitas e ressoavam sucesso. Contudo, sem explicação, fui tomado de uma vergonha sem medida, e escondi rapidamente o papel. Deus! Quantos viram que eu escrevi aquilo? Seria eu digno de ser um canal, e transmitir tais mensagens em tão poucas linhas?

Prepotência ou compreensão de mundo? Alguns chegam até a falar de autoconhecimento. Que tal me tornar um Messias? Quem está perdido pode ir por qualquer caminho que não faz diferença; eu sendo messias apenas serei mais um caminho entre as pessoas perdidas, que voltarão sempre ao mesmo lugar.

Foi aí que a sabedoria passou e levou aquelas primeiras linhas embora. Seria sabedoria ou Sabedoria? O nome próprio não importa, não é o apropriado de ser percebido quando na verdade o que importa é que fim tomou as primeiras linhas. Não importa quantas palavras ali estejam, quando agrupadas elas se tornam apenas uma única linha, que liga quem está escrevendo a quem irá ler, sempre de uma forma única e ilimitada.

Escondi as palavras, mas as primeiras linhas que se ligam ali se encontram, decoradas, não importando se você escreve torto ou não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário