domingo, 19 de setembro de 2010

Entrevista com Humberto Gessinger

Caso me conheça pessoalmente, sabe da minha patologia musical por Engenheiros do Hawaii. O fato é: Humberto Gessinger, fundador da banda, escreveu todas as letras no qual eu gostaria de ter escrito. Atualmente, os Engenheiros estão parados, pois Gessinger está se dedicando à banda Pouca Vogal, um dueto com Duca Leindecker, do Cidadão Quem.

Tive a oportunidade de, por e-mail, fazer algumas poucas perguntas para Gessinger. São perguntas pessoais que me ocorreram ao longo desses anos que escuto a banda e acompanho o trabalho dos músicos. Vejam:

1) Dos multi-instrumentos tocados no Pouca Vogal, qual você prefere?

Varia muito. Tô gostando de tocar guitarra. Geralmente, em casa, fico no violão de nylon ou piano.

2) Quando você foi à URSS divulgar sua música, como foi a reação do público? A investida da cultura ocidental na Rússia se fazia visível naquela época?

Era o início do fim do regime. Como é normal em épocas destas, o gramado do vizinho sempre parece mais verde e o futuro, melhor. Eles só viam o que há de bom no capitalismo e o que há de ruim no socialismo.

3) Muitas das suas letras são inspiradas na Literatura. Gosto da citação da Revolução dos Bichos, de George Orwell, na música Ninguém = Ninguém ("Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros"). Essa investida é interessante para divulgar grandes literatos entre os ouvintes do Engenheiros. Num efeito contrário, acha que suas músicas dariam bons romances?

Há músicas que poderiam ser desenvolvidas em contos ou ensaios. Quanto a romances, não sei...

4) Qual(is) música(s) da sua carreira que você olha e diz: "Cara, porque eu gravei isso?"?

Acontece com regravações, mas elas não são muitas na minha carreira. Das músicas que escrevo, nunca me arrependo. Acho que quanto mais datadas, mais significados adquirem.

5) Dos lugares que você já viajou, alguma comida típica chega perto do chimarrão?

O chimarrão deve ser muito estranho para quem não está acostumado.

6) Muitas de suas músicas citam personas invisíveis, normalmente Eles (Terceira do Plural, Toda Forma de Poder, Camuflagem, O Exército de um Homem Só, etc..). Considera sua música um jeito de fazer com que as pessoas percebam a presença d'Eles e, melhor, tentem fazer alguma coisa para mudar esse quadro?

É bom às vezes pensar que ELES pode ser NÓS.

7) Acompanho sua interação com fãs pelo Twitter. Até que nível isso é bom essa exposição on-line? Como você aproveita essas novas tecnologias para o seu trabalho?

É um canal direto. É bom não depender de filtros.

8) Li em muitas entrevistas que algumas pessoas criticavam sua introspecção como "estrelismo". Contudo, sabemos que nenhum artista precisa expor sua vida pessoal para divulgar seu trabalho. O que você acha dessa demanda da mídia por saber detalhes da vida pessoal dos artistas?

Acho que estamos aprendendo a usar novas ferramentas. Espero que os excessos se corrijam.

9) Desde 2003, vemos que você possui uma inclinação para músicas acústicas. Se por um acaso o Engenheiros voltar, podemos esperar novas regravações no formato acústico?

Não sei, não tenho nenhum plano para EngHaw.

10) Algumas de suas músicas falam sobre liberdade (Selva / a gente se acostuma muito pouco / a gente vive achando que é o máximo / liberdade pra escolher a cor da embalagem. - Acontece que não tenho escolha / por isso mesmo é que eu sou livre.). Para você, no mundo atual, o que é ser livre? E por que as pessoas acham que liberdade é escolher a cor da embalagem?

A gente vai se acostumando com o ar rarefeito...

7 comentários:

  1. O cara é muito bom! Adorei a entrevista!!

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  2. Cara! a entrevista foi excelente, só não gostei da resposta sobre a uma possível volta dos EngHaw.

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  3. AMEI essa entrevista. Sou fãzona de EngHaw, você bem sabe. =D

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  4. Muito interessante a entrevista. HG mostra o quanto tem de cultura. Deve ser um baita leitor, pois nas respostas tem poucas palavras que falam sobre muitas coisas em pequenas frases. Grande homem...

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