Nunca antes na história desse país a aprovação ou não de um projeto de lei foi tão comentada. Uma lei de iniciativa popular, chamada carinhosamente de Ficha Limpa, tem por finalidade proibir candidatos que tenham o nome sujo no Judiciário. Em resumo é isso, não vou entrar nos detalhes da lei, não é o que me interessa hoje.
O povo divulgou, cobrou, exigiu, e a lei foi para o Supremo Tribunal Federal. A maior instância do Judiciário conta com dez ministros. Tem até ministro nomeado por José Sarney, o que me leva a concluir que nunca vou ter conhecimento sobre o cerne eleitoral desse país. Num fatídico dia, o povo se mobilizou, acompanhando na televisão e em tempo real na internet, o processo de votação dos ministros.
Cada um votou, justificou e ficou um placar típico de pelada do fim de semana: 5x5. Sem uma decisão, o STF decidiu arquivar a votação, que provavelmente será retomada após as eleições, e valerão para daqui há 2 anos, nas votações para prefeito e vereador.
O povo se indignou, xingou, esbravejou contra o STF, e todos disseram, uníssonos: "Mas que coisa, os corruptos continuarão vencendo as eleições, e agora?".
Há alguma coisa muito errada nesse país, há alguma coisa muito errada nesse pensamento; é incompreensível essa reação. Maldito é o povo que precisa de leis para não votar em corruptos. Como funciona a eleição? Você vai lá, escolhe um candidato, se ele for bem votado entra. Simples. Se ele é corrupto, o povo precisa averiguar isso e não votar nele. Se ele entrou, o povo é conivente. Simples novamente.
Mas isso é tão simples que fingimos não enxergar. Achamos que, se a lei Ficha Limpa não for aprovada, os corruptos continuarão. Mas o que custa a nós, eleitores, pesquisar o passado do candidato? Se o cara é corrupto, não é de hoje. Atualmente, por esse veículo no qual você está lendo esse texto, há diversos sites para avaliar dados e características dos candidatos.
Não há lei que possa gerar consciência política no povo, não há lei que diminua a corrupção. Se eles continuam ganhando mesmo andando por caminhos tortuosos, a culpa é nossa; o problema é nosso.
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PS1: Confira o http://www.excelencias.org.br e avalie o trabalho dos parlamentares.
PS2: Hoje muitos candidatos possuem perfis na internet. Vá no Google e pesquise.
O eleitorado brasileiro é composto por analfabetos ou semi-analfabetos funcionais. Gente que não pensa, não raciocina. E ainda existem MUITOS votos comprados. E isso não ocorre só no interior...nas grandes cidades também. É aquela história do "rouba mas faz".
ResponderExcluirTriste realidade.
"Infeliz do povo que precisa de heróis."
É isso mesmo, e temos três bons exemplos um tanto quanto recentes:
ResponderExcluirEm Alagoas, estado que elegeu Fernando Collor de Mello como senador;
No Distrito Federal, que elegeu José Roberto Arruda, que havia renunciado ao mandato de senador em 2001 para evitar a cassação, e acabou sendo eleito governador em 2006 (no 1° turno!)
E finalmente, no Amapá, onde houve festa dos cabos eleitorais do governador Pedro Paulo Dias após a sua saída da prisão.
O que fazer, quando o povo vota nesse tipo de candidato?
Concordo com tudo que disse Lívia! O problema maior é que essas limitações no quesito Educação tem comprometido a capacidade de nosso povo de lidar com as informações, que nem sempre são confiáveis. Infeliz do povo que precisa de leis para não votar em corruptos. Triste!
ResponderExcluirÉ foda. O povo ignora por falta de mesmo: " já que todos são corruptos, deixemos que a lei escolha". Fica tudo na mão do povo, da sorte, e dos poderosos, pois o Estado está morto.
ResponderExcluirÉ isso aí!!! O povo é que precisa fiscalizar os candidatos.
ResponderExcluirShow!, concordo com tudo isso que vc disse, bem sábio.
ResponderExcluirahahahahaha, sacanagem, eu nunca pensei opr esse lado, o povo idiota fica pedindo lei em vez de votar no cara qui é bom em vez do qui é ruím.
ResponderExcluirum abs meu,
Antonio
Gente, todos os povos precisam de leis para não votar em corruptos. Cuidado para não desqualificar o voto das camadas populares, como tanta gente da elite faz. Em SP, aliás, Maluf, ficha imunda, é o favorito das classes mais abastadas e educadas. Ainda bem que agora temos a nossa Lei da Ficha Limpa, o que nos coloca à frente de muitos países ditos "evoluídos".
ResponderExcluirDorly, nosso país ainda tem uma democracia jovem e (muito) incompleta. No século XX, só podemos afirmar que tivemos um regime democrático nos períodos 1946-1964 e a partir de 1988. Portanto, foram somente 30 anos! O fim das leis da ditadura criou um ambiente propício às liberdades, inclusive às ruins! É por isso que qualquer pilantra se candidata na maior cara de pau. Contudo, esse é um preço que temos que pagar enquanto aperfeiçoamos o regime. É um trabalho permanente. Depois falo mais. Um abraço.
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