Com passos curtos por essa terra sem caminhos,
vou do zero ao infinito sem tempo.
Me espanto com o agora,
por saber que o amanhã
um dia será hoje;
e que algum dia esse mesmo amanhã
não terá mais forças para ser em mim.
Escrevo com o corpo e com o sangue.
A eucaristia do que digo em palavras é estar nu para o mundo.
Mesmo assim, uma névoa obtusa
seguida de uma música opaca
perpassa meu humilde silêncio.
A sensualidade vital das palavras me ofuscam
a atenção para o presente.
Me sinto espelho,
então peço que se reflitas em mim.
E por menor que eu seja
qualquer pedaço de espelho
é o espelho todo.
Quando me olhas como um todo,
esse vazio de mim reflete seu ser
e mesmo que seja só reflexo
eu continuo nu em sinceridade.
Só posso obter sem procurar,
só posso ter sem pedir,
A única coisa que faço, e sem esforço,
é refletir.
Agarro aberta a identidade do mundo
e resisto sem garantias.
Estou prestes a morrer e renascer em novo reflexo;
serei um movimento orgânico trajando um manto
tecido com gelo, sem esquecer esse seu eterno jogo
de palavras.
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